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E por falar em mulheres...
Escrever sobre mulher é fogo.
Ser mulher é muito mais.
Neste mês o ar fica cheio das palavras de mulher.
Os fios de comunicação... papéis de todas as mensagens...
os comandos virtuais...
É tempo oficial de mulher.
As palavras da vez já foram gritadas na maioria,
como em bingos de seqüências parecidas.
Também quero cantar minhas pedras, tirando do
fundo do peito a boa de ser mulher.
Sem rodeio nem floreio.
Contando o fôlego, para não adiar o sufoco
de confessar ser mulher.
Com dureza ou poesia, tudo é arte em ser mulher.
Perder-se nos sentimentos, rir e chorar ao contrário,
não saber tantas respostas tudo é coisa de mulher.
Não poupar as emoções, porque a fome de ser
mulher desconhece opção.
Com a cabeça e o corpo.
Dois universos de riquezas, descambando em horizontes
misteriosos, para quem quiser arriscar...
Minha fala é de mulher que achou o homem de amar.
E ser feliz simplesmente como homem e mulher,
até ele cismar de ser anjo e mudar-se para o céu.
De viver descomplicado, sem duelos nem cobranças,
vivendo papel de mulher, amando ser tão amada.
Trabalhando meus trabalhos, ajudando no pão nosso,
porque a riqueza era só de muito amor.
Crescendo um com o outro, no choro e na alegria.
Respeitando os limites, e as falhas tão normais.
Conversando sobre tudo com amor e paciência.
E gozando aquele amor, de tremer o coração
e os sentidos também.
Sem receio de mostrar, sem receio de sentir
o gosto de ser mulher.
O meu homem foi embora, a morte encerra uma vida,
mas não mata o amor e nem o jeito de ser.
Continuo bem mulher.
Não saí da minha casca. Fiquei por conta do tanto,
que é bonito ser mulher.
E olha que nem me foi dada à doçura de ser mãe.
Vou parindo as palavras, filhas diletas do peito,
mensageiras de esperança.
Hoje, é muito custoso parceria pra mulher.
Mulher, que cresceu mulher.
Não entendo muito bem a tal ânsia de mudar
boas partes, no exagero do preço do corpo plastificar.
Tenho lido os cronistas sem tesão por silicone
e esqueletos também.
Vejo um medo entre os pares da entrega em sintonia,
na velha receita de amor.
Um competindo com o outro, mulher conquistando
seus tronos, morrendo por um pouco de colo,
já valia um cafuné.
Mas mostrar os sentimentos, ser usada e explorada,
o modernismo não deixa, fica mais fácil chorar.
Mulher é assim mesmo, sonha com o homem perfeito,
em todas as gerações.
Importante e liberada, é também Branca de Neve...
Gata Borralheira... Cinderela... Rapunzel...
Fantasiando e sofrendo, sempre pronta para o romance.
Sozinha sem pedestal, implorando o telefone
pra sua carência afagar.
Perdoe-me a oposição.
Estou falando de mulher, que ama e quer ter carinho.
Sem servilismo na entrega, corajosa com seu homem
no doce combate do amor.
Ai, que esse mundo está cheio de mulher na solidão.
O censo não ajuda, a concorrência também
e nem o momento atual.
Mas mulher que é mulher tem seu jeito e sedução.
Elas estão por aí. Como frutos bem maduros.
Felizes acasaladas, sozinhas por contingência,
quem sabe por opção, ou prontas para a colheita.
Mundo vasto mundo...
E... essas mulheres... de todos os dias...
Formatação de Annalu,
com carinho para minhas amigas
e companheiras de fé e de luta.
BENDITAS SEJAM, EM NOME DE DEUS!!!!!
Lenya Terra

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